Características - Franco e Rizzi
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A Clínica Franco e Rizzi

Características da Obesidade

1- Classificação

Na pratica quantificamos o grau de obesidade conforme o IMC (Índice de Massa Corporal ) Trata-se de uma conta matemática onde dividimos o Peso (Kg) pelo quadrado da altura (m).
Ex . Peso = 130 Kg e Altura = 1,72 m
IMC = 130 / 1,72 x 1,72 = 43,94 Kg/m2
Classifica-se o grau de Obesidade conforme o IMC em:

IMC até 25 Kg/m2 = normal
IMC entre 25 e 30 = Sobrepeso
IMC entre 30 e 35 = Obeso tipo 1
IMC entre 35 e 40 = Obeso tipo 2
IMC entre 40 e 50 = Obeso Mórbido
IMC entre 50 e 60 = Super Obeso Mórbido
IMC acima de 60 = Super super Obeso Mórbido

Na verdade esse índice é muito simplista, porque não leva em conta a porcentagem de gordura, massa muscular ou de água. O peso como única fonte de informação pode equiparar um obeso a um halterofilista. Por isso, trabalhamos com outros parâmetros que são obtidos por uma técnica chamada Bioimpedânciometria na qual se calcula a porcentagem de gordura, massa magra e água. Usamos também a Tomografia Computadorizada para individualizar a gordura visceral da gordura subcutânea.

Existem 2 padrões de obesidade : Visceral e Subcutânea

Visceral e Subcutânea

Visceral e Subcutânea

A- Obesidade Subcutânea localizada em baixo da pele, principalmente nádegas e coxas. Esse tipo de gordura não produz hormônios perigosos, porém, devido as alterações de quadril e coxas, causa dificuldade na movimentação corporal, logo diminuem a qualidade de vida. As pessoas desse grupo tem a parte superior do abdômen mais fina que a inferior, e por isso, assumem aspecto de “pêra”. É o padrão de obesidade feminina, ou seja, ginecóide.

B- Obesidade Visceral localizada principalmente dentro da cavidade abdominal. Esse tipo de gordura é perigosa, porque causa a liberação de hormônios que causam Hipertensão arterial e Diabetes, logo diminuem a quantidade de vida. As pessoas que tem esse padrão de distribuição gordurosa, geralmente tem cintura grande. Esse padrão lembra uma “maça”, pois parece uma bola no centro do corpo. É o padrão de obesidade masculina, ou seja, andróide.

2- Comorbidades

Qualquer que seja o grau ou o padrão de obesidade haverá piora de quantidade e de qualidade de vida, porque a Obesidade causa doenças. Chamamos as doenças que decorrem da obesidade de “comorbidades”. Essas doenças são “Filhas da Obesidade “ .
As comorbidades mais frequentes são: Hipertensão arterial, Diabetes tipo 2, Hipercolesterolemia, Apnéia do sono, Insuficiência Cardíaca, Artroses de quadril e joelhos, Obstrução arterial (ex. coronárias , carótidas , etc) , etc.

Essas doenças geram muitas consultas médicas, exames, medicamentos e internações. Além do paciente sofrer com a doença ele também precisa arcar com grande gasto de tempo e dinheiro.
Essas comorbidades causam a mortalidade precoce nos obesos.
Outro aspecto que também deve ser considerado é o “sofrimento psicológico” causado pela Obesidade. Alguns pacientes tem dificuldade para andar, passar na roleta do ônibus, sentar em poltronas de cinema ou avião, comprar roupas e até mesmo de fazer sua higiene pessoal. Existe também a discriminação social, dificultando relacionamentos sociais e afetivos, além de dificultar a vida profissional em alguns casos.

3- Tratamento

A meta no tratamento da Obesidade é múltipla.
A- Emagrecer perdendo principalmente gorduras. Não temos nenhum interesse em promover a perda de massa muscular ou de água.
B- Emagrecer sem causar efeitos colaterais.
C- Trazer o paciente a um IMC normal (ao redor de 25 Kg/m2)
D- Manter esse novo peso por toda a vida.
O tratamento da obesidade é sempre clínico e deve ser mantido para toda a vida. Obrigatoriamente o paciente precisa mudar seus hábitos, mudar a sua rotina. O paciente precisa aprender a alimentar-se corretamente. Escolher alimentos que causem saciedade e que tenham poucas calorias. Chamamos isso de reeducação alimentar.
O paciente precisa ter atividade física diariamente para queimar suas reservas e assim evitar que haja armazenamento do excesso de calorias na forma de gorduras.
O paciente precisa estar em estado de equilíbrio psicológico para evitar o “comer compulsivo “, ou seja, comer continuadamente mesmo sem necessidade psicológica.
Em resumo, é necessário uma “reeducação tríplice” (alimentar, física e psicológica) para conseguir emagrecer com saúde.

Nenhum medicamento substitui essa reeducação e apenas o uso de medicação sem reeducação tríplice pode ser prejudicial à saúde em vários aspectos diferentes.

É necessário deixar claro que essa reeducação tríplice precisa ser mantida eternamente e que no momento que “baixarmos a guarda” haverá a reengorda. É por esse motivo que qualquer tratamento clínico que tenha prazo definido para terminar será condenado ao fracasso, pois todo o peso perdido durante o período de reeducação será readquirido em poucos dias após o retorno aos maus hábitos iniciais. Um exemplo desse raciocínio é quando o paciente frequenta um spa e em quinze dias de bons hábitos emagrece 10 kg. Se ao retornar para casa ele reassumir maus hábitos como o sedentarismo e comer doces compulsivamente, ele certamente reganhará os mesmos 10 Kg em pouco tempo.

Assim fica claro que essa reeducação tríplice precisa ser adotada eternamente. Constatamos na prática que ninguém faz coisas “que não sejam prazerosas” por longos períodos de tempo. Não adianta querer forçar um obeso a fazer academia de ginástica diariamente se ele não gosta de academia. Provavelmente ele abandonará todo o projeto de reeducação tríplice. É necessário adequarmos a reeducação tríplice de forma individual respeitando as preferências do paciente. Por exemplo, a nutricionista precisa ao elaborar o cardápio levar em conta o “paladar” desse paciente. Outro exemplo, é a escolha da atividade física onde o paciente talvez prefira dançar ou nadar ao invés de fazer academia diariamente.

Em resumo, o tratamento da obesidade é sempre clínico e é baseado na reeducação tríplice que deve ser prazerosa e adotada de forma diária e eterna. O uso de medicamentos é “apenas medida complementar” que deve ser prescrita apenas por médicos especializados, devido ao elevado potencial de efeitos colaterais, uma vez que muitas vezes a dose eficaz fica próxima da dose tóxica.

4- Falha do Tratamento

A reeducação tríplice funciona muito bem até certo nível de obesidade. Observou-se na prática médica que as pessoas muito obesas não apresentavam boa resposta terapêutica, ou porque emagreciam pouco, ou porque reengordavam mesmo adotando novos e bons hábitos.
Estudos mundiais comparando IMC antes e depois de tratamentos de obesidade comprovaram que a reeducação tríplice tem resultado surpreendente em pacientes com IMC inferior a 40 Kg/m2. Por esse motivo, consideramos o IMC de 40 Kg/m2 como a fronteira do tratamento clínico. Quem cruza essa fronteira é chamado de Obeso Mórbido.
Estima-se que existam no Brasil 5 milhões de obesos mórbidos (2007).

Considera-se desde o Consenso do NIH (National Institute of Health) de 1991 que o único tratamento eficaz para o obeso mórbido seja a Cirurgia Bariátrica. Nos EUA foram realizadas 200 mil cirurgias bariátricas em 2007, enquanto no Brasil no mesmo ano foram realizadas aproximadamente 20 mil cirurgias. Atualmente (2012), estima-se que sejam realizadas 60.000 cirurgias bariátricas por ano no Brasil.

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