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ENDOSCOPIA NA OBESIDADE MÓRBIDA
No último século, a obesidade mórbida
se tornou um problema de saúde pública, causando transtornos na saúde do
paciente, com constantes internações e abstenção no trabalho.
O tratamento cirúrgico da obesidade mórbida tem-se mostrado efetivo tanto na
perda de peso, na redução da morbi-mortalidade e controle das doenças associadas
como: hipertensão arterial, diabetes, doenças ósteo-articulares e outros,
contribuindo na melhora da qualidade de vida.
O exame endoscópico consiste em avaliar internamente o esôfago, estômago e
duodeno através da introdução oral de um aparelho flexível e dirigível com vídeo
câmera na ponta, sob sedação e anestesia local. Ele possibilita também coleta de
materiais e passagem de acessórios terapêuticos.
Geralmente o exame endoscópico é realizado ambulatorialmente com sedação, porém
em algumas situações faz-se necessária presença de um anestesiologista em sala
para conduzir a sedação ou mesmo uma anestesia geral.
O procedimento endoscópico em pacientes com obesidade mórbida deve ser realizada
em locais que ofereçam uma estrutura física adequada (ex: macas específicas,
espaço físico, condições de atender intercorrências) e profissionais treinados
com conhecimento sobre as diversas técnicas cirúrgicas empregadas, além da
capacitação para atuar no diagnóstico e tratamento de eventuais complicações no
pós-operatório.
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Endoscopia pré operatória
A avaliação do paciente obeso mórbido é multidisciplinar, e a endoscopia tem
papel importante na equipe para auxílio diagnóstico e terapêutico no pré e pós
operatório.
As técnicas empregadas na cirurgia bariátrica causam modificações na anatomia do
tubo digestivo, sendo indispensável a avaliação endoscópica criteriosa do trato
digestivo no pré-operatorio para descartar lesões pré-malignas, gastrites
atróficas, pólipos, úlceras e infecção pelo Helicobacter pylori.
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Além do papel diagnóstico, existe ainda a possibilidade da passagem do balão
intragástrico por via endoscópica. Ele consiste de um balão de silicone, cuja
função é ocupar espaço na luz gástrica, dando a sensação de saciedade precoce.
Este balão é passado por via endoscópica e existem algumas indicações
específicas para o seu uso. Alguns trabalhos mostram benefícios para o controle
das doenças associadas à obesidade, atuando como um tratamento coadjuvante em
pacientes com difícil controle do peso, porém os pacientes devem estar
orientados em relação aos riscos e resultados que dependem muito do esforço
pessoal quanto à reeducação alimentar. Existem algumas contra-indicações para a
sua colocação como: presença de hérnia hiatal, cirugia gástrica prévia, e
outros.
Endoscopia pós operatória
A endoscopia se torna importante no pós-operatório como exame de seguimento em
pacientes assintomáticos ou na vigência de sintomas digestivos, atuando como
exame diagnóstico e em algumas situações como opção de tratamento por via
endoscópica das possíveis complicações no pós-operatório.
Apesar da incidência baixa de complicações no pós-operatório, elas existem e
está relacionada ao tipo de cirurgia realizada. Muitas destas complicações são
passíveis de tratamento endoscópico.
O exame endoscópico também está indicado em pacientes que apresentam um desvio
da curva ponderal, isto é, a não perda de peso ou perda excessiva deste no
pós-operatório.
1) Cirúrgica com colocação da banda gástrica
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É considerado uma cirurgia restritiva por reduzir mecanicamente a ingesta de
alimentos e à endoscopia, observamos uma área de compressão no local da
colocação da banda gástrica.
Existem complicações inerentes à colocação desta banda, sendo estas:
a) deslizamento da banda:
Ocorre um deslizamento da banda colocada para cima ou para baixo e tal situação
cursa com sintomas obstrutivos como vômitos, dificuldade para se alimentar e
pode ocorrer em 8 a 25% dos casos.
b) erosão e migração da banda:
Ocorre uma exteriorização da banda para o interior do estômago, em 0,2 a 7% dos
casos. O seu diagnóstico é preferencialmente endoscópico. Nessa situação o
tratamento é a remoção da banda cirurgicamente, ou em conjunto com a endoscopia.
c) impactação de corpo estranho:
A impactação de bolo alimentar, comprimidos ou outros corpos estranhos não é
raro. Geralmente ocorre no pós-operatório recente e na sua maioria está
associado ao erro alimentar. O diagnóstico e o tratamento para a retirada deste
é por via endoscópica, utilizando-se acessórios através do canal do aparelho
para a sua remoção.
2) Derivação gastrojejunal com colocação de anel (cirurgia de
Fobi-Capella)
É a técnica mais realizada e possui características restritivas e disabsortivas.
Endoscopicamente observamos uma redução da câmara gástrica com cerca de 5,0cm e
uma compressão circular correspondente a colocação do anel redutor que situa-se
logo acima da anastomose gastrojejunal.
Como complicações desta técnica podemos citar:
a) deslizamento do anel redutor:
O anel pode deslizar, causando obstruções e dificuldade na progressão do
alimento. Incidência relatada em cerca de 7% dos casos e o tratamento
recomendando é o cirúrgico para remoção ou reposicionamento do mesmo.
b) erosão ou migração do anel redutor:
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Ocorre uma exteriorização do anel para o interior da câmara gástrica em cerca de
5% dos casos. Essa migração pode ser parcial ou total. O diagnóstico é
preferencialmente endoscópico, onde visualizamos o anel através do estômago e em
algumas situações, onde a exteriorização é ampla, a sua retirada pode ser por
via endoscópica.
c) Úlceras e erosões na alça jejunal:
Pode ocorrer úlceras ou erosões na alça que foi anastomosada com o estômago que
foi reduzido. Este achado é freqüente, podendo estar presente em 20-50% dos
exames pós-operatórios.
Foi observado que pacientes com doença ulcerosa pregressa são considerados de
maior risco. Nessa situação é importante a avaliação endoscópica com pesquisa do
Helicobacter pylori.
Tais lesões tem boa resposta ao tratamento medicamentoso e em situações que
ocorram algum sangramento, o tratamento é por via endoscópica.
d) estenose da anastomose gastrojejunal:
É uma complicação comum, podendo ser encontrada em 4 a 27% dos casos.
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A anastomose gastrojejunal tem diâmetro aproximado de 1,0cm. A estenose é uma
redução deste calibre, dificultando a passagem do alimento através dele. São
citadas algumas causas para o desenvolvimento deste, como isquemia, hematomas,
tensão da anastomose e outros.
A impactação de alimento é o sintoma mais freqüente.
O diagnóstico e o tratamento é endoscópico, utlizando-se balão hidrostático
dilatador, com excelentes resultados. Em 30% dos casos é necessária mais de 1
sessão de dilatação.
e) impactação de corpo estranho:
Como descrito acima, no item 1c, o diagnóstico e tratamento é por via
endoscópica.
Geralmente essa impactação está associado a estenose ao nível do anel redutor ou
da anastomose gastrojejunal.
f) fístulas:
A fístula é um orifício, isto é, uma abertura que comunica uma região com outra.
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Geralmente ocorre ao nível da linha de grampeamento do estômago e pode ocorrer
uma comunição gastro-gástrica, gastro-cutânea, gastro-jejunal,...
O tratamento inicial é a oclusão do orifício fistuloso através da endoscopia.
Existem inúmeras opções dependendo da localização e tipo da fístula. São eles:
cola de fibrina, cianoacrilato, matriz acelular (surgisis), colocação de clips
metálicos,...
O sucesso do tratamento está diretamente relacionado ao tipo de fístula e seu
tamanho.
3) Avaliação do estômago excluso
Nos próximos anos, a aplicabilidade da enteroscopia de duplo balão irá tornar
factível a avaliação do estômago excluso.
Atualmente é descrito um índice de sucesso em torno de 80%.
COLONOSCOPIA NA OBESIDADE MÓRBIDA
Devemos considerar que a obesidade é uma condição associada a alguns tipos de
tumores.
Diversos trabalhos mostram índices elevados de câncer colorretal nesse grupo de
indivíduos, devendo a colonoscopia ser considerada como um exame de rastreamento
em algum momento na avaliação dos pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico.
Essa indicação se torna ainda maior naqueles que tem antecedentes familiares de
câncer colorretal e idade acima de 50 anos.
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