Encontro - Andrea Levy

Dra. Andrea Levy - Psicóloga

A Psicologia na Cirurgia Bariatrica

 

Todo obeso que pretende submeter-se à Cirurgia Bariátrica deve, antes, passar por um preparo psicológico. O longo histórico de sofrimento e privações sociais que o paciente obeso traz, torna fundamental um suporte psicológico antes e após a cirurgia bariátrica.


O entendimento da técnica cirúrgica, a colaboração e participação do paciente, o apoio familiar, bem como a adequação das expectativas serão fundamentais para se obter bons resultados físicos e emocionais no período pós-cirúrgico.


Após a cirurgia o psicólogo também exerce um papel fundamental no acompanhamento do paciente, já que este terá que adaptar-se a um novo estilo de vida que, em geral, é completamente diferente ao anterior. Além disso, o paciente terá que lidar com situações de privação de alimentos que antes eram ingeridos em grande quantidade. Muitos pacientes que antes eram compulsivos por comida, quando não conseguem lidar com esta privação, podem acabar transferindo esta compulsão para drogas, álcool, sexo e compras, por exemplo. E, para muitas pessoas, a obesidade funciona como um grande mecanismo de defesa e até como uma boa desculpa para não ter uma vida social e afetiva. "Estou gordo, não vou à festa", "Não vou arrumar emprego porque estou gordo", etc. É verdade que a vida de um obeso é bastante difícil e por isso mesmo, às vezes fica menos difícil ficar trancado em casa pra não ter que se confrontar o tempo todo com essas limitações.

Depois do inevitável emagrecimento que a cirurgia proporciona, estas desculpas já não podem mais existir e o ex-obeso tem que aprender a lidar com uma nova realidade e principalmente aceitar que agora ele é uma pessoa sem limitações físicas e, conseqüentemente, acaba sendo mais cobrado pela sociedade para que seja uma pessoa produtiva. As mudanças não são poucas na vida de quem deixa de ser obeso mórbido. Um período de adaptação emocional, física e social é necessário.

Quem opta pela cirurgia deve saber que está optando por enormes mudanças internas e externas, mas principalmente está optando pela vida. A psicoterapia ajuda na reorganização desta nova vida, em um corpo inevitavelmente diferente.

A cirurgia não é o fim, mas o início de um longo processo e deve ser encarada como um projeto de vida!
 

 



 

 


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